A gente só quer alguém que escolha ficar


No fundo, a gente só quer alguém que nos estenda os braços e nos sirva como apoio, quando a nossa estrutura está frágil. Alguém que mergulhe em nossos fragmentos e que não tenha medo de lutar contra os nossos monstros que insistem em afastar todo o tipo de ajuda, quando na verdade, o que mais precisamos é de suporte. 

A gente só quer alguém que afaste os nossos medos e não desista de nós, que a cima de tudo, encare o nosso silêncio e converse entre carinhos de dedos e nos guarde em um abraço quentinho.

No fundo, a gente só quer alguém que espere a nossa tempestade passar e sente ao nosso lado para esperar o sol chegar. Alguém que nos admire diante do caos e saiba que somos muito mais do que aparentamos ser quando estamos exaustas, cansadas do mundo e sem esperanças. 

A gente só quer alguém que acredite quando a gente já não tem mais forças para continuar, alguém que fique quando a gente diz que é para ir, porque na verdade a gente não quer que vá, apenas não quer incomodar.

No fundo, a gente só quer alguém para deitar na grama para fazer planos e rir até a barriga doer. Alguém para esquentar os pés no sofá e dividir a coberta, a pipoca, o chocolate, as dores, a vida. O amor. Alguém para andar por aí e preencher o nosso coração. 

A gente só quer alguém que nos ame na simplicidade, mas nos reconheça nos momentos grandiosos, que nos olhe com brilho nos olhos e sorria para nós.

No fundo, a gente só quer alguém que nos ache linda num domingo de manhã sem maquiagem, de pijama e cabelo bagunçado. Que aprecie os nossos gestos, as nossas essências e nos pegue no colo e nos encha de beijos. 

A gente só quer alguém que nos faça, por alguns segundos, esquecer do trabalho, dos estudos, das cobranças, da postura rígida e da correria do dia a dia. Alguém que nos faça lembrar que a gente não precisa tomar conta de tudo o tempo todo e que não estamos sozinhas.

No fundo, a gente só quer alguém que escolha ficar e não solte a nossa mão a qualquer custo. Quando tudo na vida parece sem chão, ou não.

Crítica | Filme: O Mínimo para Viver


O Mínimo Para Viver (To The Bone, em inglês, 2017) é um drama lançado pela Netflix. A produção é uma delicada polêmica, discutindo um tema que pode afetar qualquer pessoa. O filme retrata a luta de uma jovem mulher contra a anorexia.

Dirigido por Marti Noxon, este drama traz a realidade assustadora de quem sofre distúrbios alimentares e suas condições. Lily Collins dá vida à sua personagem Ellen, que tem uma personalidade complexa e que precisa urgentemente de ajuda médica, mas que se recusa a aceitar os procedimentos dos tratamentos de seus terapeutas. Mas tudo muda quando Ellen conhece o Dr. Beckham (Keanu Reeves), que propõe um tratamento diferente, mais intrigante do que ela está acostumada. Em mais uma tentativa, Ellen aceita e vai viver em uma casa com várias pessoas que sofrem de diversos tipos de distúrbios alimentares. Lá, Ellen começa ver a realidade de que todo mundo está lutando contra sua doença, e essa é a maneira para que ela abra os olhos e a faça optar por uma vida mais saudável.


Ellen usa um humor-negro para lidar com a sua condição. No entanto, o filme reflete bem no tratamento que é suposto nessa casa, onde existem regras do tipo: não ter portas na casa, não poder usar eletrônicos e, também, existe uma dinâmica onde pontos são ganhos quando algumas tarefas são cumpridas. Com esses pontos, as pessoas que se tratam na casa podem desprovir de passeios ou apenas passar um tempo fora da casa.


Ellen, no entanto, luta para compreender melhor a sua condição. Acontecimentos do passado fazem com que ela fique confrontando a si própria em uma torturante indecisão sobre se ela quer ou não melhorar. Os outros residentes do local e a suas variadas condições, também expõem as suas dificuldades e fazem com que Ellen reflita melhor sobre a sua saúde, principalmente o personagem Luke.


O Mínimo Para Viver é um filme tragicômico. Pois a temática do filme poder vir à ser extremamente triste, onde os testemunhos de seus personagens nos fazem refletir e nos levam às lágrimas em alguns momentos. Mas mesmo assim, trata-se de um filme de imenso aprendizado humano, trazendo cada uma de suas histórias como realidade, sem fantasiar que ter distúrbios alimentares é poético. Longe disso. É um filme que precisa ser assistido pelas pessoas que não sofrem disso, mas que podem vir à perceber alguém que precise de suporte e que possa ajudar essa pessoa superar a sua luta, ou seja para àqueles que precisam se identificar com a sua própria dor e saber que é possível sair dessa. Todos nós só precisamos de coragem.


Da mesma maneira que A Culpa das Estrelas nos mostra que é possível superar o câncer e ser feliz a cima dele, da mesma maneira que 13 Reasons Why nos abre os olhos sobre o bullying e o suicídio, O Mínimo para Viver também tem a mesma proposta, porém de nos mostrar que os transtornos alimentares são doenças com complexos psicológicos e causas biológicas que são reais, mas são tratáveis. Talvez você não concorde que esses temas de extrema importância sejam retratados, muitas vezes, de forma cômica ou romântica, mas ao mesmo tempo, nos proporcionam enxergar como é a vida das pessoas que passam por essas dificuldades e, ao invés de olharmos pelo lado negativo, possamos fazer uma corrente do bem para auxiliarmos quem vive nessas condições ou, até mesmo, que sirva de alicerce para mostrar que existe uma saída, você só precisa procurar ajuda e acreditar em você mesmo.

Assista o trailer:


O que achou? Já assistiu? Me conte a sua opinião nos comentários! :D

Colore a sua alma


Você pode estar tão assombrada agora. Suas mãos seguraram fortemente em espinhos e seus pés cambalearam em superfícies escorregadias, onde tudo se movia e, de repente, tudo se fazia oco. Consequentemente, um vazio profundo e sem chão. 

Quanto mais passageira a vida se tornava, mais presa dentro de você estava. Eu sei o que é isso. Colocar todas as suas forças em algo que não floresce, como se fosse ir em uma caça sem armas, atirando flechas sem um arco e sem direção.

Se sentir sozinha, como se as pessoas olhassem para você, mas não conseguissem te enxergar e te puxar para fora dessa bolha que se formou ao seu redor. Mas sentir a atmosfera caótica desse lado era mais solitário ainda. Pessoas se machucando, se enganando e tratando o amor com tanto descuido.

Às vezes, o coração já está tão maltratado, que nem o seu suspiro mais profundo consegue te fazer sentir algo. Interiormente, é como se fosse uma faísca de esperança em meio a uma tempestade ventosa em que todas as forças estão contra você.

Mas em um momento de exaustão seu corpo se renderá diante de toda a escuridão que quer tomar conta de você. Explodirá para fora toda a carga que amarra as suas mãos, a sua garganta e se desfazerão lentamente as vendas dos seus olhos. 

Nessa hora todas as máscaras, os fardos e a armadura cairão junto de você no alento, frio e amargurado que és o passado. Deixe-o na porta. Feche os olhos e sinta como a brisa do mar, sussurrará o Amor em seu coração. Alma cansada atendendo a dor, deixe-a chover, deixe-a verter essas lágrimas súplicas de quem clama pela plenitude. E quando pensar que está desistindo, na verdade, serão as Suas mãos te puxando para os Seus braços abertos pronto para te acolher. 

E você desistirá. Desistirá de viver por você e viverá diante da Sua graça. Nada é maior que essa força que habita em você. És farol, a tempestade joga as ondas contra você, mas nada é maior do que a Sua fortaleza.

Às vezes, nós não entendemos porquê algumas coisas acontecem, mas alguns episódios servem apenas para nós termos certezas. Certeza do que a gente quer para a nossa vida. Certeza que há recomeços, certeza que há coisas que devem serem deixadas para trás, certeza de coisas que você tem que deixar no passado e viver o novo amanhã.

É a hora de permitir recomeçar. 

Sinta o amor, reforce a sua fé e colore a sua alma.