Bola de neve caótica

20:18


Ela chorava e não entendia. Ela se mortificava com a dor se espalhando por todas as partes do seu corpo, sentia seu estômago ansiar para vomitar toda àquela angústia. Ela chorava e apenas não conseguia entender. Ela se sentia impotente diante do seu próprio corpo, da sua própria alma.

Ela via as pessoas ao seu redor sorrindo, enquanto ela estava afundada no travesseiro chorando por uma nova descoberta nas redes sociais dele, ou de algum papo furado que ouviu por aí e, provavelmente, segurou a raiva até o peito parar de lutar e desabar mais uma vez.

E ele? Ele estava por aí curtindo de fato, e toda a vez que ela resolvia reagir da mesma maneira, ele jogava as cartas na mesa fazendo com que ela se sentisse uma traidora, virando um certo tipo de joguinho egoísta dele, onde apontar seus próprios erros nela era a saída fácil para se conformar de que ele estava fazendo tudo certo. Não estava. Era apenas o medo dela seguir em frente e encontrar alguém melhor que ele. E ela encontraria, ele sabia disso. 

Amou até mesmo seus demônios. Insano foi ela se destruir por ele na tentativa de chamar isso de amor. Não era amor. Era uma guerra interna; sangrenta e dolorosa. Ela se debilitava a cada dia que passava, cega de amor assinou o papel de bom moço dele, onde nas cláusulas as promessas não passavam de equívocos.

Não a peça outra chance, não a faça se sentir culpada pelos seus instintos errôneos, pois ela o deu uma nova chance toda a vez que ela se despedaçou na sua frente tentando mostrar seus erros. Mas ele apenas fez igual como todas as outras vezes, assentiu e prosseguiu roliço. 

Azar o dele que perdeu a mulher da sua vida. Talvez, agora, ele consiga entender como ela se sentia e que, talvez, ele mereça todo esse vazio que está arfando em seu peito e lembre que toda a vez que ela o implorava para não ir, era porque ela o amava a ponto de absorver toda a culpa e, toda a vez que ele foi, ela o perdoava para que eles dormissem bem. 

Mas talvez esse fôra o papel dela na vida dele, só que com todas as cláusulas cumpridas; a principal delas: amar. E agora, era a hora dele cumprir com as consequências do ato. Dessa vez, quando ele acordar ela já vai ter saído da frente da sua bola de neve caótica. Ela o deu uma última chance: o tempo; para ele se curar, e o adeus dela; para ele recomeçar.

Ela seguiu por outra rota, saiu do alvo roliço dele, simplesmente o perdeu de vista. Mas nunca o deixará de amar.

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2 comentários

  1. Não sei como descobri o teu blog mas fiquei fã dos teus escritos... tens mais outro seguidor esperando por mais posts :)
    Beijinhos
    area-escritalhada.blogspot.pt

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    1. Que bacana, Miguel! Fico feliz em ler teu recado. Obrigada! 😉

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